16 de mar. de 2010

Mais capítulo 2

Não foi fácil convencer o gerente a aceitá-lo. Mas, em nome da amizade entre Osvaldo e os pais de Lance, ele foi admitido. E pelo jeito já começou com a antipatia do chefe…! Essa coisa de horário não é muito o estilo dele. Acordar cedo entã, nem se fala! Mas tudo bem, ele está aqui e pretende fazer bem seu trabalho. Desde que Osvaldo não crie caso com ele…

O vestiário é minúsculo e tem um cheiro esquisito. Ricardo troca de roupa a contragosto. Esse uniforme é horroroso! Por que não pode usar um terno elegante?… Ele odeia uniformes! Mas o pior está por vir: o trabalho. Que espécie de trabalho é esse afinal? Ricardo olha para a Van prateada parada nos fundos da loja. Motorista de Van. É o último estágio da decadência!

A estória de sua família é a própria decadência. Guilherme Rivera foi um dos maiores empresários do país, sócio em uma mineradora e dono de uma joalheria. Era poderoso e influente, tinha a sociedade à seus pés… Mas ele cometeu um erro: quis dar um passo maior do que a perna. Encheu-se de dívidas e num instante estava pobre, praticamente sem nada!… Os filhos Rodrigo e Ricardo sentiram o baque mais do que qualquer um. Para Elena também foi um choque pois estava acostumada com o luxo e a influência da família.

Já se passaram dez anos desde que as empresas Rivera foram parar no lixo. Dez anos de sofrimento, de humilhações, de sacrifícios e de revolta. Ricardo não consegue esquecer essas coisas. Cada vez que abre a carteira, ele lembra. Cada vez que entra num ônibus lotado, que é quase assaltado, que não tem roupas, sapatos, ele lembra.

E lembra também cada vez que olha para os pais. Ricardo respira fundo e entra na Van. E dizer que já dirigiu BMW, Toyota, Peugeot…! Uma Van. Isso é carro mesmo?, ele pensa. Melhor não pensar.