16 de mar. de 2010

Capítulo 1

Fazer escolhas. Às vezes as pessoas fazem escolhas que se refletem para sempre em suas vidas. Foi assim com Amélia. Ela fez uma escolha que se reflete até hoje. Na verdade não foi uma escolha sua. As circunstâncias a levaram a seguir por esse caminho. Um caminho sem volta… Talvez sua vida fosse diferente agora se tivesse feito outras escolhas. As suas escolhas.

De vez em quando ela pensa nisso. Como seria sua vida se tivesse optado seguir por um caminho diferente? Seria feliz? Quem sabe… Bem, a questão é: ela é feliz agora, com essa vida que escolheu? É complicado responder. A resposta pode ser muito dolorosa. Então ela sacode a cabeça e se força a pensar em outras coisas.

__Amélia, em quê planeta você tá?!

Ela estremece com a voz da madrasta. Por um instante, ela parou no tempo. Esqueceu da louça na pia e de dar almoço aos sobrinhos…

__O quê…?

__Tá aluada, menina?!? Olha só quanta louça prá lavar! E as crianças ainda não almoçaram, Amélia!

__Eu sei, eu sei! Quer ficar calma, Rosa? Eu ponho o almoço deles rapidinho! E deixa a louça por minha conta, valeu?

__Deus me livre! De vez em quando você entra nesse transe! Parece maluca!

__Mas eu sou maluca! – ela grita jogando o pano de prato no chão – Só uma pessoa completamente louca prá te aturar, Rosa! Só sendo muito louca prá agüentar as safadezas das tuas filhas numa boa!

__Olha a mal criação comigo, sua desaforada!

__E essa bendita pensão que nem minha não é e eu tenho que dar conta? Não tem que ser doida varrida prá aturar tudo isso?!?

__Deus me livre! Tá de ovo virado hoje, hein! Quer saber? Eu vou prá minha ginástica que é melhor!

__Esperaí, madame! Quem vai levar as crianças prá escola?

__Você, como sempre!

__Não meeesmo! Eu não quero chegar atrasada de novo na loja! Pode tratar de acordar uma das suas “princesas”´prá levar as crianças prá escola! – Amélia tira o avental e joga sobre a mesa – Eu vou tomar um banho e ir pro trabalho!

__E a pensão? Quem vai cuidar da pensão?

__Não sei. Você, o papai ou uma das “belas adormecidas”! Eu vou trabalhar. Tchau prá você, Rosa!